SC tem o menor índice de isolamento social desde o início da pandemia

Índice de 29% de isolamento foi registrado na última sexta-feira (19), um dia após o retorno das aulas na rede estadual de ensino

Desde o início das medidas contra o coronavírus em Santa Catarina, em março do ano passado, os catarinenses não circulavam tanto pelas ruas e não cumpriam o distanciamento social recomendado pelos órgãos de saúde. Na última sexta-feira (19), um dia após a volta às aulas da rede estadual de ensino, a taxa de isolamento no Estado ficou em 29%, número mais baixo desde os 28,9% registrados em 11 de março de 2020, véspera da confirmação dos primeiros casos de Covid-19 em Santa Catarina.

A taxa de isolamento é medida pela plataforma N, que utiliza dados de celulares para medir o deslocamento das pessoas no Brasil inteiro. A empresa torna os dados públicos desde o início da pandemia, e mostra que o pico do isolamento social em SC ocorreu no dia 22 de março do ano passado, quando 72% dos catarinenses estavam em casa.

Ao longo dos últimos meses, a taxa de isolamento em SC se manteve entre 34% e 38% nos dias de semana, subindo para perto de 50% aos domingos. Em outubro, o número chegou a ficar mais baixo, mas não havia caído para menos de 30%, como ocorreu na última sexta. Aos finais de semana a taxa também caiu, sem atingir 50% em nenhum dia desde 24 de janeiro.

O número chega ao patamar mais baixo em contraste com o momento da pandemia em Santa Catarina. Com taxa de ocupação geral dos leitos de UTI do SUS em 89%, o Estado tem hospitais lotados em várias regiões, e viu a rede de saúde colapsar no Oeste nas últimas semanas, com a necessidade de transferência dos pacientes internados.

Além disso, há também crescimento na média de mortes e no número de casos ativos de Covid-19 nas últimas semanas.

Segundo a infectologista Sabrina Sabino, o número reflete a falta de restrições sanitárias em Santa Catarina e o desrespeito às medidas de controle ao coronavírus:

– Atribuir a baixa taxa de isolamento às escolas é até um pouco cruel, porque está absolutamente tudo liberado, não existe restrição. Nem podemos mais falar em taxa de isolamento, ninguém mais está fazendo. O próprio governo não tem mais nenhuma medida a respeito disso. O isolamento infelizmente acabou, no pior momento.

Para a especialista, não haverá uma solução para esse aumento de casos sem uma vacinação em massa da população. Ela aponta que a idade média das pessoas internadas em Santa Catarina caiu, indicando pessoas mais jovens – que têm circulado mais – sofrendo com formas mais severas da Covid-19.

– O retorno das escolas, eu não vejo como o maior problema, elas realmente têm um protocolo. O problema é o desrespeito, as pessoas simplesmente desobedecem qualquer tipo de regra em estabelecimentos, festas. Está completamente desregrado. Se não pensar no coletivo agora, a catástrofe vai ser sempre maior – completa Sabino.

 

Fonte: NSC
Foto: NSC