Petrobras anuncia aumento de 12% nos preços da gasolina

Em média, o litro do combustível nas refinarias vai aumentar R$ 0,11 a partir desta quinta-feira (07)

Com a recuperação da cotação do petróleo no mercado internacional e a disparada do câmbio, a Petrobras anunciou nesta quarta-feira (06) o aumento dos preços da gasolina no país. O reajuste médio nas refinarias será de 12%, ou, em média, R$ 0,1097 por litro. Os novos valores passam a vigorar nesta quinta-feira (07).

Até o momento, a estatal não anunciou alterações nos preços do diesel. Esta é a segunda vez que a Petrobras aumenta os preços da gasolina no ano. No dia 20 de fevereiro o reajuste foi de 3%, que foi seguido por sucessivas reduções após o início do isolamento social, que fez a demanda despencar, e da crise internacional do petróleo.

Na semana passada, a gasolina era vendida nos postos do país a um preço médio de R$ 3,929 o litro, com queda acumulada de 13,7% em comparação com os R$ 4,555 cobrados no último dia de 2019, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Nas refinarias, os preços da gasolina acumulam redução de 46,6% no ano, já considerando o novo reajuste de 12%. Com o aumento, o litro da gasolina passa a custar, em média, R$ 1,02, o menor valor desde setembro de 2005.

Normalmente, os aumentos são repassados de imediato para as bombas, mas as reduções seguem ritmo mais lento. Uma das explicações é que os estoques, tanto das distribuidoras como dos postos, estão elevamos por causa da queda no consumo.  Além disso, a parcela da Petrobras na composição do preço final na gasolina é de apenas 18%, que se somam a impostos federais de 18% (Cide, Pis e Cofins) e estaduais, o ICMS de 33% em média, além de 11% do custo do etanol anidro e 20% de margem da distribuição e revenda.

Já o diesel acumula queda de 14,6% nas bombas. Na semana passada, o combustível era vendido, em média, por R$ 3,203, contra R$ 3,751 no último dia de 2019. Nas refinarias, a queda acumulada é de 44,1%, com o litro custando R$ 1,30, o menor valor desde julho de 2012.

Nos últimos dias, o barril do tipo Brent, referência no mercado internacional, começou a recuperar valor após tombo histórico. Nesta quarta-feira, ele está sendo negociado a US$ 28,95. No câmbio, do dia 1º de abril até 5 de maio, a valorização do dólar foi de 7,92%, passando de R$ 5,262 para R$ 5,679.

Para Sérgio Araujo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o reajuste é natural e, na sua opinião, menor que o esperado. Desde o dia 21 de abril, quando a estatal fez sua última alteração no preço do combustível, com corte de 8%, o dólar e o barril de petróleo se valorizaram.

— Eu entendo que a Petrobras demorou a reagir porque está com estoques de gasolina muito elevados e a volatilidade está alta. Então, ela aguarda uma certa estabilização para a tomada de decisão. Mas esse aumento anunciado hoje é pouco, ainda não chega na paridade — afirmou Araujo, que estima defasagem em torno de 20% nos preços da gasolina.

Por Termo de Compromisso de Cessação assinado ano passado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, a companhia é obrigada a acompanhar os preços internacionais dos combustíveis.

Analistas do mercado descartam que a atual defasagem nos preços seja resultado de orientação do governo federal. Eles acreditam que o problema está no estoque elevado por causa na queda na demanda. E a estatal tem pouca margem para reduzir a produção, pois o combustível é produzido junto com o GLP, gás usado nos botijões para consumo residencial.

 

Fonte: O Globo
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